
Hoje é dia 21 de abril, para muitos apenas mais um feriado. Poucos sabem o que é comemorado na data de hoje. Infelizmente achamos normal o esquecimento da nossa história, da vida dos nossos heróis, dos nossos antepassados.
Num período no qual a insatisfação da população diante dos problemas sociais vividos nas terras das Minas Gerais, uma conspiração formada por grande parte da elite econômica e intelectual mineira foi arquitetada para libertar a província da Coroa de Portugal. Tiradentes era o conjurado mais humilde, o único sem alta patente militar e sem grandes recursos financeiros. Filho de um proprietário rural e uma dona de casa, Tiradentes ficou órfão cedo e logo cedo perdeu as terras da família. Sem estudos, se dedicou à prática farmacêutica e mais tarde trabalhou como dentista, cujo apelido de “Tiradentes”, viria a ser conhecido por todos.
Em 1780, se alistou nas tropas da Capitania das Minas Gerais, sendo nomeado comandante do Caminho Novo, estrada que ligava a região mineradora ao Rio de Janeiro. Exerceu a função até 1787, quando deixou a tropa e passou um ano no Rio de Janeiro. Desiludido com a Capital, voltou para Vila Rica após um ano e indignado com os mandos e desmandos da Coroa em relação à província das Minas Gerais, começou a pregar a independência da província da Coroa.
Aos poucos foi aliando-se a pessoas importantes da sociedade mineira, como integrantes do clero e da elite. O movimento ganhou força após a independência das colônias estadunidenses, que gerou os Estados Unidos da América, juntamente com questões internas como a cobrança do quinto e da derrama, que seria a cobrança a força de toda a dívida dos devedores para com a Coroa, podendo confiscar todo o dinheiro e bens dos devedores, atingindo diretamente membros da elite mineira que se revoltou, se aliou aos ideais libertários de Tiradentes.
Na noite da revolução, Joaquim Silvério dos Reis, um dos inconfidentes, delatou toda a conspiração, em troca do perdão de suas dívidas com a Coroa. Todos os líderes do movimento, inclusive Tiradentes foram presos e levados ao Rio de Janeiro. Durante todo o processo judicial, que durou longos três anos, todos negaram participação na conspiração, sendo apenas Tiradentes o único a admitir toda a responsabilidade pelo movimento. Todos foram condenados à morte, até a que D. Maria decretou clemência, com a redução da pena de morte para o degredo, ou seja, o exílio a todos, menos de Joaquim José da Silva Xavier.
Daquele momento em diante, Tiradentes sabia que seu destino estava selado. Talvez por ser o único a ter se declarado culpado, por ser o que menos tinha posses ou poder político. Alguns dizem que ele era o único que não pertencia à maçonaria, com certeza por ter sido o único a ter tido a coragem de mesmo coagido, defender seus ideais, mesmo vivendo um pesadelo, a acreditar num sonho, num sonho de uma pátria livre.
Na manhã do dia 21 de abril, uma procissão foi realizada nas ruas do Rio de Janeiro, com o objetivo de marcar a presença e a força da coroa portuguesa no Brasil. Pelas ruas do centro do Rio de Janeiro, Tiradentes caminhou até o patíbulo, onde sua sentença foi lida durante 18 horas. Um verdadeiro espetáculo, armado pelo governo português, para marcar a autoridade da Coroa e afugentar os ideais libertários da população. Encenação esta que causou ira e revolta em grande parte dos populares.
Após ser executado e esquartejado, seu corpo foi dividido e exposto ao longo do Caminho Novo, mesmo caminho, o qual quando tenente das Tropas de Minas Gerais foi o responsável pela sua segurança. Morria ali um brasileiro, nascia um mártir, um símbolo que seria durante muito tempo esquecido e que seria resgatado da obscuridão da história durante o movimento republicano que via em seu feito, sua coragem e sua morte, a força que precisavam para derrubar a monarquia e instituir a liberdade e a democracia por todo o Brasil.
Hoje podemos ver em Brasília, no Panteão da Pátria e da Liberdade, local onde são lembrados aqueles que muito fizeram pelo nosso país. O primeiro nome do “Livro de Aço”, livro no qual possui 10 nomes de heróis nacionais, é o seu: “Joaquim José da Silva Xavier”, ou Tiradentes, como ficou conhecido. A seguir nomes muito conhecidos e dignos de estarem lá: Zumbi dos Palmares; Marechal Deodoro; Dom Pedro I; Duque de Caxias; Plácido de Castro; Almirante Tamandaré; Almirante Barrozo; Santos Dumont e José Bonifácio, não podemos deixar esquecidos outros tantos que deram as suas vidas por este país,calados pela ditadura militar, mais seus ideais ecoam forte na voz dos milhares de jovens brasileiros.
1964
Albertino José de Oliveira
Alfeu de Alcântara Monteiro
Ari de Oliveira Mendes Cunha
Astrogildo Pascoal Vianna
Bernardinho Saraiva
Carlos Schirmer
Dilermando Mello do Nascimento
Edu Barreto Leite
Ivan Rocha Aguiar
Jonas José Albuquerque Barros
José de Sousa
Labib Elias Abduch
Manuel Alves de Oliveira
1965
Severino Elias de Melo
1966
José Sabino
Manoel Raimundo Soares
1967
Milton Palmeira de Castro
1968
Clóvis Dias Amorim
David de Souza Meira
Edson Luiz de Lima Souto
Fernando da Silva Lembo
Jorge Aprígio de Paula
José Carlos Guimarães
Luis Paulo Cruz Nunes
Manoel Rodrigues Ferreira
Maria Ângela Ribeiro
Ornalino Cândido da Silva
1969
Antônio Henrique Pereira Neto (Padre)
Carlos Marighella
Carlos Roberto Zanirato
Chael Charles Schreier
Eremias Delizoikov
Fernando Borges de Paula Ferreira
Hamilton Fernando Cunha
João Domingos da Silva
João Lucas Alves
João Roberto Borges de Souza
José Wilson Lessa Sabag
Luiz Fogaça Balboni
Marco Antônio Brás de Carvalho
Nelson José de Almeida
Reinaldo Silveira Pimenta
Roberto Cietto
Sebastião Gomes da Silva
Severino Viana Colon
1970
Aberlado Rausch Alcântara
Alceri Maria Gomes da Silva
Ângelo Cardoso da Silva
Antônio Raymundo Lucena
Ari de Abreu Lima da Rosa
Avelmar Moreira de Barros
Dorival Ferreira
Edson Neves Quaresma
Eduardo Collen Leite
Eraldo Palha Freire
Hélio Zanir Sanchotene Trindade
Joaquim Câmara Ferreira
Joelson Crispim
José Idésio Brianesi
José Roberto Spinger
Juarez Guimarães de Brito
Lucimar Brandão Guimarães
Marco Antônio da Silva Lima
Norberto Nehring
Olavo Hansen
Roberto Macarini
Yoshitame Fujimore
1971
Aderval Alves Coqueiro
Aldo de Sá Brito de Souza Neto
Amaro Luís de Carvalho
Antônio Sérgio de Matos
Carlos Eduardo Pires Fleury
Carlos Lamarca
Devanir José de Carvalho
Dimas Antônio Casemiro
Eduardo Antônio da Fonseca
Flávio de Carvalho Molina
Francisco José de Oliveira
Gerson Theodoro de Oliveira
Iara Iavelberg
Joaquim Alencar de Seixas
José Campos Barreto
José Gomes Teixeira
José Milton Barbosa
José Raimundo da Costa
José Roberto Arantes de Almeida
Luiz Antônio Santa Bárbara
Luís Eduardo da Rocha Merlino
Luís Hirata
Manoel José Mendes Nunes de Abreu
Marilene Vilas-Boas Pinto
Mário de Souza Prata
Maurício Guilherme da Silveira
Nilda Carvalho Cunha
Odijas Carvalho de Souza
Otoniel Campos Barreto
Raimundo Eduardo da Silva
Raimundo Golçalves Figueiredo
Raimundo Nonato Paz ou “Nicolau 21”
Raul Amaro Nin Ferreira
1972
Alex de Paula Xavier Pereira
Alexander José Ibsen Voeroes
Ana Maria Nacinovic Corrêa
Antônio Benetazzo
Antônio Carlos Nogueira Cabral
Antônio Marcos Pinto de Oliveira
Arno Preis
Aurora Maria Nascimento Furtado
Carlos Nicolau Danielli
Célio Augusto Valente da Fonseca
Fernado Augusto Valente da Fonseca
Frederico Eduardo Mayr
Gastone Lúcia Beltrão
Gelson Reicher
Getúlio D’Oliveira Cabral
Grenaldo de Jesus da Silva
Hélcio Pereira Fortes
Hiroaki Torigoi
Ismael Silva de Jesus
Iuri Xavier Pereira
Jeová de Assis Gomes
João Mendes Araújo
José Bartolomeu Rodrigues de Souza
João Carlos Cavalcanti Reis
José Inocêncio Pereira
José Júlio de Araújo
José Silton Pinheiro
Lauriberto José Reys
Lígia Maria Salgado Nóbrega
Lincoln Cordeiro Oest
Lourdes Maria Wanderly Pontes Luís Andrade de Sá e Benevides
Marcos Nonato da Fonseca
Maria Regina Lobo Leite Figueiredo
Míriam Lopes Verbena
Ruy Osvaldo Aguiar Pfitzenreuter
Valdir Sales Saboya
Wilton Ferreira
1973
Alexandre Vannucchi Leme
Almir Custódio de lima
Anatália de Souza Alves de Mello
Antônio Carlos Bicalho Lama
Arnaldo Cardoso Rocha
Emanoel Bezerra dos Santos
Eudaldo Gomes da Silva
Evaldo Luís Ferreira Sousa
Francisco Emanoel Penteado
Francisco Seiko Okama
Gildo Macedo Lacerda
Helber José Gomes Goulart
Henrique Ornelas Ferreira Cintra
Jarbas Pereira Marques
José Carlos Novaes da Mata Machado
José Manoel da Silva
José Mendes de Sá Roriz
Lincoln Bicalho Roque
Luis Guilhardini
Luís José da Cunha
Manoel Aleixo da Silva
Manoel Lisboa de Moura
Merival Araújo
Pauline Philipe Reichstul
Ranúsia Alves Rodrigues
Ronaldo Mouth Queiroz
Soledad Barret Viedma
Sônia Maria Lopes Morais
1975
José Ferreira de Alemeida
Pedro Gerônimo de Souza
Wladimir Herzog
1976
Ângelo Arroyo
João Baptista Franco Drummond
João Fosco Penito Burnier (Padre)
Manoel Fiel Filho
Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar
1977
José Soares dos Santos
1979
Alberi Vieira dos Santos
Benedito Gonçalves
Guido Leão
Otacílio Martins Gonçalves
Santo Dias da Silva
1980
Lyda Monteiro da Silva
Raimundo Ferreira Lima
Wilson Souza Pinheiro
1983
Margarida Maria Alves
Outras Mortes
Afonso Henrique Martins Saldanha
Antônio Carlos Silveira Alves
Ari da Rocha Miranda
Catarina Abi-Eçab
Iris Amaral
Ishiro Nagami
João Antônio Abi-Eçab
João Barcellos Martins
José Maximiniano de Andrade Neto
Luiz Affonso Miranda da Costa Rodrigues
Newton Eduardo de Oliveira
Sérgio Correia
Silvano Soares dos Santos
Zuleika Angel Jones
Mortes no Exílio
Ângelo Pezzuti da Silva
Carmem Jacomini
Djalma Carvalho Maranhão
Gerosina Silva Pereira
Maria Auxiliadora Lara Barcelos
Nilton Rosa da Silva
Therezinha Viana de Assis
Tito de Alencar Lima (Frei)
Desaparecidos no Brasil
Adriano Fonseca Fernandes Filho
Aluísio Palhano Pedreira Ferreira
Ana Rosa Kucinski Silva
André Grabois
Antônio “Alfaiate”
Antônio Alfredo Campos
Antônio Carlos Monteiro Teixeira
Antônio de Pádua Costa
Antônio dos Três Reis Oliveira
Antônio Guilherme Ribeiro Ribas
Antônio Joaquim Machado
Antônio Teodoro de Castro
Arildo Valadão
Armando Teixeira Frutuoso
Áurea Eliza Pereira Valadão
Aylton Adalberto Soares de Freitas
Celso Gilberto de Oliveira
Cilon da Cunha Brun
Ciro Flávio Salasar Oliveira
Custódio Saraiva Neto
Daniel Ribeiro Callado
David Capistrano da Costa
Dênis Casemiro
Dermeval da Silva Pereira
Dinaelza Soares Santana Coqueiro
Dinalva Oliveira Teixeira
Divino Ferreira de Souza
Durvalino de Souza
Edgard Aquino Duarte
Edmur Péricles Camargo
Eduardo Collier Filho
Elmo Corrêa
Elson Costa
Enrique Ernesto Ruggia
Ezequias Bezerra da Rocha
Fpelix Escobar Sobrinho
Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira
Francisco Manoel Chaves
Gilberto Olímpio Maria
Guilherme Gomes Lund
Heleni Telles Ferreira Guariba
Helenira Rezende de Souza Nazareth
Hélio Luiz Navarro de Magalhães
Hiram de Lima Pereira
Honestino Monteiro Guimarães
Idalísio Soares Aranha Filho
Ieda Santos Delgado
Ísis Dias de Oliveira
Issami Nakamura Okano
Itair José Veloso
Ivan Mota Dias
Jaime Amorim Miranda
Jaime Petit da Silva
Jana Moroni Barroso
João Alfredo Dias
João Batista Rita
João Carlos Haas Sobrinho
João Gualberto
João Leonardo da Silva Rocha
João Massena Melo
Joaquim Pires Cerveira
Joaquinzão
Joel José de Carvalho
Joel Vasconcelos Santos
José Humberto Bronca
José Lavechia
José Lima Piauhy Dourado
José Maria Ferreira Araújo
José Maurílio Patrício
José Montenegro de Lima
José Porfírio de Souza
José Roman
José Toledo de Oliveira
José Leal Gonçalves Pereira
Jorge Oscar Adur (Padre)
Kleber Lemos da Silva
Libero Giancarlo Castiglia
Lourival de Moura Paulino
Lúcia Maria de Sousa
Lúcio Petit da Silva
Luís Almeida Araújo
Luís Eurico Tejera Lisboa
Luís Inácio Maranhão Filho
Luíza Augusta Garlippe
Luiz Renê Silveira e Silva
Luiz Viera de Almeida
Manuel José Nurchis
Márcio Beck Machado
Marco Antônio Dias Batista
Marcos José de Lima
Maria Augusta Thomaz
Maria Célia Corrêa
Maria Lúcia Petit da Silva
Mariano Joaquim da Silva
Mario Alves de Souza Vieira
Maurício Grabois
Miguel Pereira dos Santos
Nelson de Lima Piauhy Dourado
Nestor Veras
Norberto Armando Habeger
Onofre Pinto
Orlando da Silva Rosa Bonfim Júnior
Orlando Momente
Osvaldo Orlando da Costa
Paulo César Botelho Massa
Paulo Costa Ribeiro Bastos
Paulo de Tarso Celestino da Silva
Paulo Mendes Rodrigues
Paulo Roberto Pereira Marques
Paulo Stuart Wright
Pedro Alexandrino de Oliveira Filho
Pedro Carretel
Pedro Inácio de Araújo
Ramires Maranhão do Vale
Rodolfo de Carvalho Troiano
Rosalino Souza
Rubens Beirodt Paiva
Ruy Carlos Vieira Berbert
Ruy Frazão Soares
Sérgio Landulfo Furtado
Stuart Edgar Angel Jones
Suely Yumiko Kamayana
Telma Regina Cordeiro Corrêa
Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto
Tobias Pereira Júnior
Uirassu de Assis Batista
Umberto Albuquerque Câmara Neto
Vandick Reidner Pereira Coqueiro
Virgílio Gomes da Silva
Vitorino Alves Moitinho
Walquíria Afonso Costa
Wálter de Souza Ribeiro
Wálter Ribeiro Novaes
Wilson Silva
Desaparecidos no Exterior
Argentina
Francisco Tenório Júnior
Jorge Alberto Basso
Luiz Renato do Lago Faria
Maria Regina Marcondes Pinto
Roberto Rascardo Rodrigues
Sidney Fix Marques dos Santos
Walter Kenneth Nelson Fleury
Bolívia
Luiz Renato Pires de Almeida
Chile
Jane Vanini
Luiz Carlos Almeida
Nelson de Souza Kohl
Túlio Roberto Cardoso Quintiliano
Vânio José de Matos
Poucos locais lembraram da vida e da morte de Tiradentes, poucos jornais, sites de notícias deram atenção à data de hoje, ou pelo menos a atenção merecida a alguém que deu sua vida pela nossa liberdade. Quando uma sociedade perde sua referência, como está acontecendo com a nossa, quando o caos se torna rotineiro e não sentimos mais credibilidade nas instituições e nos nossos representantes, é comum à criação de uma expectativa da vinda de um salvador da pátria, de um messias que nunca veio e nunca virá. Todos nós devemos ser um pouco messias, todos nós precisamos acreditar nos sonhos impossíveis e fazer como Tiradentes fez em 1792, ele fez a sua parte, assumiu a sua responsabilidade e encarou de forma corajosa as conseqüências.
Que neste dia que já termina, todos nós lembremos daqueles que deram o seu suor, seu sangue e a sua vida por um país melhor.
“Se todos quisermos, poderemos fazer deste país, uma grande nação. Vamos fazê-la!” – Joaquim José da Silva Xavier
Nenhum comentário:
Postar um comentário